Torneio testa organização sul-africana e novo status de potência espanhol
Com caráter de evento-teste estabelecido pela Fifa nesta década, a Copa das Confederações começa neste domingo para colocar à prova aos olhos do mundo a capacidade de organização da África do Sul. O país anfitrião do Mundial do próximo ano, que superficialmente parece ainda ter expostas algumas fragilidades, terá que mostrar que é digno de abrigar a histórica primeira Copa em continente africano.
Neste ano, o caráter de teste também pode ser aplicado para a disputa dentro de campo, que apresenta como principal novidade a figura de favorita da Espanha, atual campeã da Europa. Na competição, o futebol espanhol terá que mostrar que não é por acaso que detém o título da última Eurocopa, nem que um de seus times, o Barcelona, assombrou o mundo recentemente com jogo bonito e a taça da Liga dos Campeões, muito menos que seus jogadores sejam finalistas do prêmio de melhor do mundo da Fifa.
Com a presença em campo da campeã europeia Espanha e outras forças mundiais, como Brasil e Itália, a África do Sul tem a missão de tranqüilizar Fifa e crítica internacional a respeito de condições de estádios e infra-estrutura de modo geral, como facilidades de transporte, aeroportos eficientes e rede hoteleira capaz de abrigar visitantes estrangeiros.
Os olhos internacionais chegam ao país reticentes depois de notícias sobre uma preparação turbulenta, com atrasos de obras e greves de operários entre as preocupações mais destacáveis. No aspecto social, a violência do país, com índices entre os mais altos do mundo, também se configura como uma ameaça.
Na Copa das Confederações estarão em exibição apenas quatro das nove cidades sedes do Mundial e somente quatro dos dez estádios de 2010, nenhum deles novo (veja mais na tabela). Aliás, pelo contrário: o Loftus Versfeld, de Pretoria, foi erguido em 1906 e será a arena mais antiga a fazer parte de um cronograma de Copa.
O remodelado Ellis Park, em Johanesburgo, será o palco principal do torneio deste ano, com a disputa da final. Já o Soccer City, da mesma cidade, arena mais importante no cronograma do Mundial 2010, fica de fora, pois ainda não teve sua conclusão.
O orçamento total dos estádios da Copa foi estimado em US$ 650 milhões, mas esse valor deve ser estourado em pelo menos US$ 300 milhões, ainda assim menos dos que os 1,4 bilhão gastos nas 12 arenas do Mundial da Alemanha em 2006.
"Estamos prontos, a infra-estrutura está aqui e é imprescindível que tenhamos um forte comprometimento do governo", disse Danny Jordaan, chefe do Comitê Organizador da Copa do Mundo em evento nesta semana.
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